Bienal

Domingo, dia 25 de Abril inaugurou a Bienal Internacional de Arte de Espinho 2021, onde vários artistas levaram até às galerias Amadeo de Souza-Cardoso, no Belo Museu Municipal de Espinho um respiro de Liberdade. Coincidindo a inauguração desta Bienal com as comemorações do dia 25 de Abril, quis concorrer com uma Escultura em mármore rosa que me diz muito, que se impôs no meu trabalho em 2020 como ponto de viragem e que se tem constituído como importante base de reflexão e permanente fonte de inspiração.

Entre os 61 artistas selecionados recebi uma menção honrosa e fico feliz pois com uma inauguração a 25 de Abril esta escultura intitulada de "Útero” surge como a representação do último reduto da liberdade.

Abril é um mês de enorme significado para o nosso país. Nele relembramos o bem maior, mas frágil, da liberdade sempre ameaçada pela perene tentação do ser humano no seu desejo de controlo dos acontecimentos e na sua ambição de domínio sobre a Natureza e sobre a própria Humanidade.

25 de Abril é uma data especial para a sociedade portuguesa na medida em que possa constituir uma oportunidade de reflexão profunda e de debate honesto sobre o caminho a fazer para assegurar o dom precioso da nossa Liberdade, em sério risco de desaparecimento. Neste sentido, tal como a arte, também o Útero é uma brecha, um espaço vazio, uma possibilidade de começo, uma garantia de liberdade onde algo radicalmente novo se inicia.

"Útero” é um lugar onde a imprevisibilidade ainda é possível, onde a natureza ainda permanece livre, onde o mistério do ciclo da vida ainda ocorre independentemente do controle humano. O ciclo da vida que, para mim, é tão misterioso!

Esta escultura emerge como um forte alerta, para a fragilidade da nossa identidade, cada vez mais perdida, diluída e fragmentada e para a problemática das relações humanas, já tão enfermas, perdidas e solitárias, a necessitarem de uma reflexão urgente baseada no dom de si, no amor, no serviço e na humildade.

Este - Útero – esculpido em mármore rosa, recebeu uma Menção Honrosa, que muito me alegra, muito me honra e muito agradeço!

Teresa TAF, 26 de Abril 2021

Sobre o processo da Escultura – Útero

Numa época onde tudo se precipita numa voragem de acontecimentos, sentimos cada vez mais que para nos descobrirmos, para descobrirmos o outro, para nos relacionarmos com tudo que nos envolve, necessitamos de tempo, pois amar implica uma dedicação que só o tempo possibilita. Assim como o acto de criação exige tempo e amor, também o acto de esculpir tem necessidade de dedicação e de entrega total, onde só a matéria nos dirá quanto tempo o tempo tem. Sendo o mármore sinónimo de tempo, pois tem contido em si todo o tempo da criação, se eu procuro refletir sobre o tempo, não há matéria mais nobre. O mármore é um elemento central. Todas as matérias aguardam os nossos gestos de amor e a nossa entrega, mas compreendi, ainda que não totalmente, que a pedra nos desafia e nos obriga a uma

dedicação que, hoje em dia, muitas vezes como artistas, desconhecemos por estarmos demasiadamente escravizadas por uma cultura vazia, rápida e momentânea. Depois deste trabalho executado em mármore, compreendo melhor as palavras de Luís Pareyson: - "O artista estuda amorosamente a sua matéria, escuta-a até ao fundo, espreita o seu comportamento e as suas reacções, interroga-a para poder comandá-la, interpreta-a para poder domá-la, obedece-lhe para poder dobrá-la; aprofunda-a para que revelem as possibilidades latentes e adequadas às suas intenções” (Estética, 1954).

Teresa TAF 2020




Decorreu no passado dia 25 de abril, a abertura da 6ª Bienal Internacional de Arte de Espinho.
Este ano concorrem aos três prémios, 61 obras nas áreas do desenho, pintura e escultura.
A Bienal deste ano conta com mais duas exposições de artistas convidados – "Show me your face” e "Paperwork” – que vão estar patentes nas galerias do Centro Multimeios e da Junta de Freguesia de Espinho.
A cerimónia decorreu no Museu Municipal de Espinho, onde ficaram a conhecer-se todos os artistas premiados nesta edição da bienal.

O grande prémio "Solverde, Casinos - Hotéis",  foi atribuído por unanimidade à obra "Pequena Sereia. SOS ou omito" de Diogo Nogueira. O segundo prémio "Prémio Bienal Internacional de Arte de Espinho" foi atribuído à obra "Tempus Fujit", de Ricardo de Campos. O terceiro prémio "Prémio Especial Juri" foi atribuído à obra "Os caminhos esquecidos" de Francisco Badilla.
As menções honrosas foram atribuídas às seguintes obras "Jogo de Memórias", de Domingos Sá, "Entre Montanhas", de Fernando Aranda Gonzalez; "Cartografia", de Joana Pitta; "Waiting", de Marta Belkot; "Ensaio sobre a experiência de ser inútil", de Pedro Cunha; "Útero", de Teresa Taf.

A Bienal Internacional de Arte de Espinho constitui-se como uma forma de pensar a arte contemporânea nestes tempos mais adversos que estamos a viver, transformando-a num poderoso meio de comunicação cultural e levando-a até ao grande público através da imaginação e criatividade de artistas oriundos de diversas paragens deste nosso planeta, que embora enfermo, não deixa de ser um espaço de oportunidades para a construção de um identidade estética, que se quer diferente nas suas formas e cores, livre por natureza, mas sempre fraterna e desempoeirada.
A sexta Bienal Internacional de Arte de Espinho arrancou a 25 de abril. Vai prolongar-se até 19 de junho.
Uma organização da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Espinho com o patrocínio da Solverde.

A ata de premiação pode ser consultada aqui

Dando cumprimento à alínea b) do número 4, do ponto 7, do Programa e Regras de Participação da 6.ª Bienal Internacional de Arte de Espinho, o Júri procedeu à avaliação presencial das obras pré-selecionadas e decidiu submeter a concurso as obras que constam da ata disponível aqui. A 6.ª Bienal Internacional de Arte de Espinho tem a sua abertura marcada para o próximo dia 25 de abril, pelas 12h00, nas Galerias Amadeo de Souza-Cardoso do Museu Municipal de Espinho.

Terminada a primeira fase de candidaturas e de acordo como o Programa e Regras de Participação da 6.ª Bienal Internacional de Arte de Espinho, o Júri analisou os processos das 240 candidaturas a concurso e decidiu submeter a avaliação presencial (segunda fase) as obras que constam da ata disponível aqui 


A Bienal Internacional de Arte de Espinho é uma mostra de expressões artísticas que se realiza a cada dois anos no Museu Municipal de Espinho. Esta mostra pretende dar a conhecer ao público a mais variada produção artística levada a cabo por artistas portugueses e estrangeiros, nas áreas da pintura, escultura e desenho. O Museu Municipal de Espinho assume a Bienal como o evento de referência no âmbito das grandes mostras de artes plásticas nacionais e internacionais e, também, como a imagem de marca das Galerias Amadeo de Souza-Cardoso, a valência do museu dedicada a exposições de arte. Pretende-se, desse modo, instituir uma plataforma mais alargada de divulgação e promoção das artes plásticas, bem como de reconhecimento das respetivas criadoras e criadores. A história da Bienal começou em 2011, sendo inicialmente intitulada de "Bienal Mulheres d´Artes". As primeiras quatro edições foram limitadas ao género feminino e conceptualmente as duas primeiras edições assumem-se como exposições abertas a todas as artistas que desejassem participar.


A grande novidade da 6.ª edição da Bienal Internacional de Arte de Espinho, assenta na descentralização da Bienal por outros dois equipamentos da cidade – as galerias do Centro Multimeios e da Junta de Freguesia de Espinho. Estes dois espaços, com o trabalho precioso de curadoria da artista Ana Pais Oliveira, abrem as suas portas, no dia 25 de abril, pelas 12h30, para receberem obras de vinte e dois artistas convidados, nas exposições "Show me your face” e "Paperwork”.


Artistas convidados

Exposição "Show me your face"

Cristina Troufa
Daniela Guerreiro
Diogo Landô
Duarte Vitória
Juan Domingues
Leandro Machado
Pedro do Vale
Rafael Oliveira
Rita Melo
Teresa Carneiro
Xana Abreu

Exposição "Paperwork" 

Alexandra de Pinho
Clara Não
Constança Araújo Amador
Elizabeth Leite
Joana Rego
Manuela Pimentel
Raquel Gralheiro
Sílvia Simões
Susana Bravo
Susana Chasse
Teresa Canto Noronha




Respiração e liberdade

A Bienal Internacional de Arte de Espinho chega à sua sexta edição em contramão ou, pelo menos, a tentar contrariar o estado da arte do último ano. Um ano de cancelamentos, adiamentos, suspensão  e deriva, onde a liberdade nos fugiu por entre os dedos e os medos e onde o setor cultural deixou a descoberto a enorme precaridade e fragilidade que já o definiam. Mas a arte e a cultura são um veículo para a emoção e a sensação, para a excecionalidade do ser humano, para nos sentirmos vivos ao invés de meros sobreviventes. Entram pelas nossas casas, pelo nosso pensamento e pelos nossos olhos muito mais do que aquilo que imaginamos ou reconhecemos, são uma salvação e permitem que vivamos de alguma irrealidade, evasão, utopia e encantamento. Os artistas, que têm uma espécie de obstinação colada ao corpo, porque não podem não fazer o que fazem, continuaram e continuam, apesar de tudo. Estão aqui, está aqui o seu trabalho e aquilo que têm a dizer. E é, sem dúvida, num gesto de respiração e liberdade, que inauguramos estas duas exposições coletivas de artistas convidados, integradas na programação da Bienal.
Show me your face, apresentada no Centro Multimeios de Espinho, reúne o trabalho de onze artistas convidados a deixarem a descoberto rostos sem máscaras, num ano em que a nossa comunicação, interação e empatia também sofreram profundas transformações. As pinturas apresentadas interrompem a visão de rostos tapados a que nos habituámos e são convites a pararmos e ficarmos a olhar, ou a ver, com olhos de ver, sem restrições. 
Paperwork, patente na Galeria da Junta de Freguesia de Espinho, reúne o trabalho de onze artistas mulheres que integram o papel na obra apresentada, seja enquanto suporte, material, processo, conceito ou outra aproximação. Falamos de uma outra "papelada”, livre de concessões, pressões e regulamentos, capaz de nos fazer pensar e questionar. Não é inocente a escolha de onze artistas mulheres: num mundo ainda representado ou habitado por uma maioria de homens, em várias áreas de atuação do meio artístico, das galerias, à crítica, comissariado ou ensino, continuamos, sim, a precisar de ajudar a tornar mais visível o trabalho das mulheres artistas e a dissolver a desigualdade, de um modo geral, indo também ao encontro da premissa original da própria Bienal de Espinho. 
Em ambas as exposições, que nenhuma distância de segurança nos impeça de nos aproximarmos através da arte e de recomeçarmos o nosso caminho.

Ana Pais Oliveira
Abril de 2021


Em 2015 e para a terceira edição da Bienal, o Museu Municipal de Espinho, apoiado pelo novo patrocinador do evento, Tapeçarias Ferreira de Sá, decidiu operar uma mudança no sentido de redimensionar o espaço expositivo e trazer uma maior qualidade ao certame. Para levar a cabo essa mudança, o evento adotou o formato de concurso e passou a contar com um júri de seleção e premiação. Outra novidade nesta edição, foi a introdução da categoria de "artista convidada" e a presença das artistas Ana Maria Pintora e Marta Maldonado.

Decorrente do concurso foram atribuídos pelo Júri menções honrosas a Cristina Troufa, Ana Pais Oliveira, Mercè Riba e Inês Abrantes, e a obra "Micro Selfie", de Susana Chasse, foi premiada com o Grande Prémio Tapeçarias Ferreira de Sá, no valor de €5.000,00.


Em 2017 a Bienal manteve o conceito iniciado em 2015, adotando a partir desta edição a política de promover o evento recorrendo à imagem da obra vencedora do Grande Prémio Tapeçarias Ferreira de Sá, da edição anterior. Outras das inovações foi a criação de mais dois prémios: o Prémio Bienal Internacional Mulheres d'Artes, no valor de €3.000,00 e o Prémio Especial do Júri, no valor de €2.000,00. Nesse ano, e na categoria de artistas convidadas, a Bienal recebeu a pintora Ana Pais Oliveira e a escultora espanhola, Mercè Riba, e o Júri atribuiu os seguintes prémios: Grande Prémio Tapeçarias Ferreira de Sá, à obra "Attraction I e II", de Yola Vale; Prémio Bienal Internacional Mulheres d´Artes, à obra "The soul should always stand ajar", de Nettie Burnett; Prémio Especial do Júri, "Climograma 3", de Abigail Ascenso. E menções honrosas às obras  "Conexões Ocultas", de Diana Costa;  "Corações", de Hélia Aluai; "Geração Arrast", de Ana Almeida Pinto.


Em 2019, ano em que o Museu Municipal de Espinho assinalou o seu 10º aniversário, a Bienal sofreu nova alteração estrutural. A organização decidiu abrir o concurso a ambos os sexos e passou a denominar o evento de "Bienal Internacional de Arte de Espinho". A sua imagem promocional continuou a recorrer à obra vencedora da edição anterior, mantendo deste modo a identidade já criada e consolidada. Esta 5ª Bienal marcou, também, o início de uma parceria de itinerância de exposições entre o Museu Municipal de Espinho e a Fundação Bienal de Cerveira.

Para esta edição a organização convidou os artistas Isabel e Rodrigo Cabral, Mário Vitória e Sofia Areal. Em resultado do concurso foram atribuídos pelo Júri os seguintes prémios: Grande Prémio Tapeçarias Ferreira de Sá, "It Was Yesterday", de Rafael Oliveira; Prémio Bienal Internacional de Arte de Espinho, à obra "Pedras no Sapato", de Pedro Cunha; Prémio Especial do Júri, à obra "Abismo", de Ana Torrié. As menções honrosas foram atribuídas as obras: "Tiro - Um homem que consegue mudar de Alexandre Coxo", de Manuel Rodrigues Almeida; "Pausa na Estação de Serviço", de Maria José Cabral; "A Serra", de Margarida Coelho; "S/título", de Tiago Santos; "Os Prós e os Contras das Estrias", de Alexandra Monteiro e "Removed Reality", de Diana Costa.